A Primeira Noite e A Saga do Lago Balaton

Primeira Sexta à noite em Budapeste: Pre-drinks em casa do Miguel… E seguimento para algum bar desconhecido nesta cidade enorme…
A noite de Budapeste é impressionante. Mesmo às quatro da manhã, as ruas estão cheias de gente, a cidade está iluminada e algumas lojas abertas só para aquele petisco que sabe sempre tão bem depois de horas e horas a dançar… Grupos de pessoas caminham pela rua, não encharcados de álcool como seria de esperar (bem, alguns sim) mas simplesmente a olhar para o Danúbio, em longas conversas, ou em calma contemplação (Certo, ou com muito álcool em cima… Mas a primeira hipótese fica aqui melhor so let’s go with it). Anyways!, senti uma certa segurança nesta cidade ainda desconhecida… Um sinal de good things to come. (Não vamos sequer comentar a beleza da cidade à noite... Têm de vir cá para descobrir!)

De resto, senti-me em casa: Noite internacional, muitas nacionalidades diferentes, falar em inglês a maioria da noite, conversas do costume (Where are you from? Why are you here? How long have you been in Budapest? How long are you satying? …) e outras mais tranquilizadoras, como falar com pessoas com quem vou trabalhar mais tarde e uma ou outra que já tinha vontade de conhecer por me terem ajudado neste processo todo de entrevistas… E finalmente frente a frente com o Miguel, para poder dar (e receber) aquele abraço já merecido!
Saímos cedo por termos estado todo o dia a caminhar pela cidade a ver casas e quartos. Depois da desilusão de ontem o nosso desânimo era bastante evidente: A primeira casa que fomos ver era basicamente subterrânea, num género de bunker, sem janelas e com 10 quartos de cerca de 7m2 e uma casa-de-banho para todos… Sem contar com uma área comum minúscula (e assustadora), uma mini cozinha com um pequeno balcão e… Enfim, saímos de lá quase em passo de corrida sem olhar para trás. Ficou explicada a renda de aproximadamente 100 euros/mês.
O último que vimos parecia a casa ideal. Os roommates potenciais esperavam-nos já no cimo das escadas para nos convidar a entrar e foram impecáveis. A casa era excelente, com casa-de-banho separado de toilette, à moda francesa, dois quartos enormes com grandes janelas (viradas para o pátio, o que é bom porque é uma rua de bares), um espaço comum (sala de estar) grande e uma cozinha com uma mesa acolhedora – Convidaram-nos a ficar um pouco mas estávamos com o tempo contado. Viver com um rapaz húngaro e uma rapariga italiana pareceu-me a combinação perfeita – Para melhorar o húngaro e apanhar um pouco da cultura (vá, e cozinha) italiana. O downside? Claro, o preço.
Depois de alguma pesquisa de mercado chegámos à conclusão que, considerando a casa em si e a localização, não era assim tão caro embora me fosse tirar um pouco mais do ordenado. Resolvi sacrificar os primeiros seis meses em Budapeste e depois logo se vê. Se aparecer algo melhor, apareceu! Disse-lhes que ficaria lá com todo o gosto se me aceitassem. Espero pela resposta este Domingo… Fingers crossed!
Voltámos para a casa da Zita lançadíssimas para partir para a Croácia no dia seguinte de manhã… Mas não aconteceu. Acordámos já tarde e o Duarte – namorado da Zita – disse-nos “esqueci-me do cartão de cidadão em Lisboa”. Pelos vistos, apesar  de o terem deixado embarcar só com a carta de condução (certo, documento oficial europeu), a mesma não iria ser suficiente para passar a fronteira.
Portanto, depois de confirmarmos com os pais da Zita que não íamos mesmo conseguir passar a fronteira, resolvemos ir passar o fim-de-semana a uma casa de uns amigos de família que moravam perto do lago Balaton. Foi a melhor decisão de sempre.
Primeiro, porque é o mais próximo que existe na Hungria de praias, o que dá muito jeito no Verão em que pelos vistos está aqui um calor abrasador (Isto e as termas, que ainda tenho de ir experimentar).
Segundo, porque os amigos de família eram um casal impecável com uma casa inacreditável, piscina interior, jardim com barbecue, snooker (why not?), boa comida e aparentemente muito bom público para as minhas guitarradas, com direito a gravações de vídeo e pedido de bilhetes para a minha tour internacional (Pois, eu também gostava).

Terceiro, porque pelos vistos na noite de Sábado havia um festival chamado Street Music (Utca=Rua; Zene=Musica) e conseguimos aproveitá-lo bastante bem. Desde uma banda italiana de música irlandesa que nos fez saltar e cantar sem sabermos letras (eu e a Zita, não o Duarte) e uma bebida que é basicamente espuma de vodka – Scary! - Passámos dois dias ultra relaxantes, sendo que no Domingo acabámos por voltar para Budapeste, prontos a tentar a nossa sorte na semana seguinte na embaixada portuguesa.
E agora, Croácia… Pela primeira vez! A ver o que nos espera!

Bisous, Bisous….

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