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A mostrar mensagens de abril, 2006

Poeta do Dia: Vinicius de Morais

"Dia e noite são iguais: Fica noite se tu chegas; Anoitece se te vais"

Da tua nuvem

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Fotografia por Alexandre Salles, «Estudo 003» Olhei para o lado e já não estavas Não sei se exististe Algum dia; E acima de tudo Surpreendi-me com a minha capacidade de sonhar Descobri-me em ti Quando te foste embora E agora já não quero que voltes Pintaste da tua nuvem Os meus sonhos de verde E de azul e amarelo - Agora, Deixa que me estique até tocar a ponta do teu pincel E pinta-me de novo, de branco, Mas da tua nuvem, Para que a distância crescente não me permita Ver o teu rosto Ou aspirar o teu perfume Ou lembrar-me de como me senti Contigo Sopro as recordações na tua direcção, Caminho em direcção ao mar Virando-me para trás vezes sem conta E nunca sem um pouco de carinho Espezinho os últimos vestígios de ti.

Depois do ódio

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Por Rodrigo Figueiredo, « ..depois do odio...» (Deixa-me amar-te essa nudez crua com que enfeitas os teus silêncios. Esse olhar que me lanças quando não sabes o que dizer. Nunca sabes o que dizer)

Poeta do Dia - Alexandre O'Neill

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"Nesta curva tão terna e lancinante que vai ser que já é o teu desaparecimento digo-te adeus e como um adolescente tropeço de ternura por ti."

Poetisa do Dia - Maria do Rosário Pedreira

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Paulo César, «Me and myself» "Diz-me o teu nome - agora, que perdi quase tudo, um nome pode ser o princípio de alguma coisa. Escreve-o na minha mão com os teus dedos - como as poeiras se escrevem, irrequietas, nos caminhos e os lobos mancham o lençol da neve com os sinais da sua fome. Sopra-mo no ouvido, como a levares as palavras de um livro para dentro de outro - assim conquista o vento o tímpano das grutas e entra o bafo do verão na casa fria. E, antes de partires, pousa-o nos meus lábios devagar: é um poema açucarado que se derrete na boca e arde como a primeira menta da infância. Ninguém esquece um corpo que teve nos braços um segundo - um nome sim."

Poeta do Dia - António Ramos Rosa

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Fotografia de Hugo Manita, «gota de outono» "Não posso adiar o amor para outro século não posso ainda que o grito sufoque na garganta ainda que o ódio estale e crepite e arda sob as montanhas cinzentas e montanhas cinzentas Não posso adiar este braço que é uma arma de dois gumes amor e ódio Não posso adiar ainda que a noite pese séculos sobre as costas e a aurora indecisa demore não posso adiar para outro século a minha vida nem o meu amor nem o meu grito de libertação Não posso adiar o coração."