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A mostrar mensagens de 2006

"Well I Think You're Crazy..."

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. . . E o que fará isso de mim? O que fará isso de nós os dois? Sim, loucos. Loucos, talvez. Mas claro que, a questão é... sê-lo-emos suficientemente? Poderá essa loucura ser o nosso alimento, A razão da nossa sobrevivência? (Sempre tão tangente, Sempre tão constante) Será que em breve não pediremos um ao outro Bem mais que o que estaríamos (sim, nós próprios) dispostos a dar? Loucos? Quem sabe?, Talvez, talvez...

Quando tiveres saudades...

(um pequeno aparte...) "Quando chorares ao escutar a nossa música, não te arrependas... Quando te arrependeres por não teres escutado tudo o que tinha para te dizer, não imagines. Quando nos imaginares juntos novamente, não acredites. E quando finalmente acreditares que o meu amor por ti era assim tão grande, não voltes... Eu não saberia perder-te de novo."

Vem

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A tua boca é um dia inteiro. Os teus lábios adoçam-me a alma, a carne. Quedados, os braços, imóveis, ao longo do corpo, lutam contra a absoluta impossibilidade de se conterem. Dia após dia. E dói. (E o sorriso que me pegas converte-se sem querer num esgar de tristeza, quando imagino um futuro tão convictamente soturno quanto o meu será, um dia). Vem convencer-me com a luz, as estrelas, a lua cheia, vem encher-me de clichés e frases feitas. Vem - Porque preciso mesmo que venhas. Puxa-me as mãos e descola-me os braços do tronco, corre comigo por entre névoas e chapéus de sol e noites de trovoada, e salta e rola comigo por campos verdejantes, seguramente demasiado verdes e alegres. Vem, nesta noite em que talvez te diga o que o meu coração cerrado nunca quis pronunciar... Nesta em que tudo parece possível, nesta que acabará depressa demais. Vem comigo adorar o silêncio que vai aumentando à nossa volta e nos envolve enquanto, segura, adormeço nos teus braços... Fotografia por Graça, «Can...

Poema do Dia: Our Love Is Gonna Live Forever

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"E se o nosso amor vivesse para sempre, que seria de nós então? Sabes como há no presente uma ânsia de um futuro imperscrutável que nos permite o sonho e a passagem diária das horas. Mas, e se soubéssemos que era para sempre, que faríamos com ele? Separar-nos-íamos desde já por sabermos que o sempre nos juntaria novamente? Cada um para seu lado, então. (...) É na separação que nos encontramos, meu amor. Se o nosso amor fosse para sempre, (...) o nosso amor terminava hoje como nunca." Jorge Reis-Sá, (a partir de uma música dos Spain)

Filme do Dia, da Semana, de todos os anos.....

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"We'll always have Paris. We didn't have, we lost it until you came to Casablanca. We got it back last night." Casablanca - Lindíssimo... Indescritível.... Uma autêntica obra prima.

Poema do dia: Casa

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"Se algum dia / por acaso Eu voltar a rasgar a tua latitude neste planeta Podes abocanhar-me Caçar-me com os incisivos / balançar-me na boca Não aceites as minhas desculpas / de nómada Nem / acredites quando te disser que tudo o que tenho Cabe dentro de uma mala Começa por esconder-me os sapatos Convence-me a destruir os mapas de viagem E a engolir âncoras / pedras / uma morada Com número na porta Mesmo que o meu desassossego geográfico (...) agite o metal dos talheres Não hesites / Leva-me para tua casa Prova-me que não tenho de apanhar o útlimo comboio da noite Que incendeia a costa e que me ajuda / a fugir todas as madrugadas Recebe-me nas zonas sem roupa / do teu corpo Manobra-me a língua / Usa-me Quando a tua carne já não precisar de mim Amarra-me / cuida do meu sono temporário Obriga-me a dizer-te aquilo que os meus dentes Sem coração nunca autorizaram: «Esta noite durmo contigo»." Hugo Gonçalves

Agora (ou o mito do "nunca mais")

Achei que eras tu "o tal". Que depois de ti, nunca mais sentiria algo remotamente parecido. Claro que essa ideia deixa alguém entregue ao desespero. Ora, vejamos: Nunca mais sentir. Seja prazer, alegria, amor. O estremecer do beijo desmoronar-se aos poucos, ser apenas um acto banal, até ficar finalmente reduzido a nada. Um acto casual. Um beijo não ser mais que um beijo... Nunca mais. Hoje sei que as coisas não são bem assim. Sim, contigo soube que havia algo mais. Que tinha estado certa este tempo todo. Mas não sabia - alguém me ensinou há pouco tempo - que esse "algo mais" existe não apenas numa pessoa, mas em várias. Há quem passe vidas inteiras a fugir dessas pessoas... Por múltiplas razões. Por medo. Isso descobri-o com o tal alguém. Ainda não sei se fuja ou não. Ainda não sei nada. Mas pretendo descobrir isso aos poucos. Graças também a ti, tenho muito medo. Graças a ti, dou dois passos e recuo um. Também não consigo confiar. Talvez não deva. Não sei. Tudo...

Pronta para parar de sonhar a preto e branco (já era mais que tempo)

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Tiago Phelipe «sonhos com cores» Apaguei hoje (sim, infelizmente só hoje) as mensagens que me mandaste. Não porque «teve de ser». Não porque «não me mereces» (e de facto não mereces) Apenas porque, de repente, não fazia sentido estarem ali. Não fazia sentido estares aferroado tão profundamente a mim. «Com licença, preciso do espaço que tens estado a ocupar... para mim» E pela primeira vez isto parece-me absolutamente natural, razoável, acertado. Pela primeira vez, vejo-te de uma forma totalmente diferente - muito menos marcante. Descobri hoje - agora mesmo - que és igual a todos os outros. E assim serás, a partir de agora. Dentro de mim terás o mesmo espaço que reservo a tantas outras pessoas que conheci - nenhum, ou muito pouco. Onde ficarás agora? Nestes textos que  me confortam, que me apoiam de uma forma estranha sempre que eu preciso. Ficarás aqui, mas só aqui. Em mais lado nenhum. Talvez permaneça, ligeiramente, a tal "ideia" de ti, mas... Penso que m...

Poeta do Dia - Núno Júdice

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Fotografia por Raquel, «X» "Quero dizer-te uma coisa simples: a tua ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não magoa, que se limita à alma; mas que não deixa, por isso, de deixar alguns sinais - um peso nos olhos, no lugar da tua imagem, e um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes tivessem roubado o tacto. São estas as formas do amor, podia dizer-te; e acrescentar que as coisas simples também podem ser complicadas, quando nos damos conta da diferença entre o sonho e a realidade. Porém, é o sonho que me traz a tua memória; e a realidade aproxima-me de ti, agora que os dias correm mais depressa, e as palavras ficam presas numa refracção de instantes, quando a tua voz me chama de dentro de mim - e me faz responder-te uma coisa simples, como dizer que a tua ausência me dói." em Pedro Lembrando Inês

Poetisa do Dia - Sophia de Mello Breyner Andersen

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Fotografia por ABrito, «Mãe natureza» « Biografia » Tive amigos que morriam, amigos que partiam Outros quebravam o seu rosto contra o tempo. Odiei o que era fácil Procurei-te na luz, no mar, no vento. "No Tempo Dividido e Mar Novo", 1985: 82

Elogio ao amor, por Miguel Esteves Cardoso

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Fotografia por Nokas, «running heart» "Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima mer...

Poeta do Dia: Vinicius de Morais

"Dia e noite são iguais: Fica noite se tu chegas; Anoitece se te vais"

Da tua nuvem

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Fotografia por Alexandre Salles, «Estudo 003» Olhei para o lado e já não estavas Não sei se exististe Algum dia; E acima de tudo Surpreendi-me com a minha capacidade de sonhar Descobri-me em ti Quando te foste embora E agora já não quero que voltes Pintaste da tua nuvem Os meus sonhos de verde E de azul e amarelo - Agora, Deixa que me estique até tocar a ponta do teu pincel E pinta-me de novo, de branco, Mas da tua nuvem, Para que a distância crescente não me permita Ver o teu rosto Ou aspirar o teu perfume Ou lembrar-me de como me senti Contigo Sopro as recordações na tua direcção, Caminho em direcção ao mar Virando-me para trás vezes sem conta E nunca sem um pouco de carinho Espezinho os últimos vestígios de ti.

Depois do ódio

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Por Rodrigo Figueiredo, « ..depois do odio...» (Deixa-me amar-te essa nudez crua com que enfeitas os teus silêncios. Esse olhar que me lanças quando não sabes o que dizer. Nunca sabes o que dizer)

Poeta do Dia - Alexandre O'Neill

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"Nesta curva tão terna e lancinante que vai ser que já é o teu desaparecimento digo-te adeus e como um adolescente tropeço de ternura por ti."

Poetisa do Dia - Maria do Rosário Pedreira

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Paulo César, «Me and myself» "Diz-me o teu nome - agora, que perdi quase tudo, um nome pode ser o princípio de alguma coisa. Escreve-o na minha mão com os teus dedos - como as poeiras se escrevem, irrequietas, nos caminhos e os lobos mancham o lençol da neve com os sinais da sua fome. Sopra-mo no ouvido, como a levares as palavras de um livro para dentro de outro - assim conquista o vento o tímpano das grutas e entra o bafo do verão na casa fria. E, antes de partires, pousa-o nos meus lábios devagar: é um poema açucarado que se derrete na boca e arde como a primeira menta da infância. Ninguém esquece um corpo que teve nos braços um segundo - um nome sim."

Poeta do Dia - António Ramos Rosa

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Fotografia de Hugo Manita, «gota de outono» "Não posso adiar o amor para outro século não posso ainda que o grito sufoque na garganta ainda que o ódio estale e crepite e arda sob as montanhas cinzentas e montanhas cinzentas Não posso adiar este braço que é uma arma de dois gumes amor e ódio Não posso adiar ainda que a noite pese séculos sobre as costas e a aurora indecisa demore não posso adiar para outro século a minha vida nem o meu amor nem o meu grito de libertação Não posso adiar o coração."

Pontos de viragem

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As ondas que desgastam as rochas, violentamente. O luar que treme, inseguro, brilhante. Ilumina parcialmente o teu rosto, uma sombra crescente na tua face. Ombros em que me apoio. Sem querer. Ou querendo muito mais do que isso. O meu dedo nos teus lábios, seguindo as suas curvas, as suas imperfeições. Seguindo a curva do teu nariz. (O meu olhar, o teu) Tudo fica por dizer. Sempre. Pensamos demasiado. Sem querer. A noite que nos engole. Que nos trai. A noite que troça da inocência que já não nos lembramos de ter. Eu e tu. Sem querermos. Ou por querermos muito mais.

Escritor do dia - Miguel Sousa Tavares

"Foi um processo longo e dfícil, como sempre o são as aproximações entre duas pessoas habituadas a estarem sozinhas. Primeiro parece fácil, é o coração que arrasta a cabeça, a vontade de ser feliz que cala as dúvidas e os medos. Mas depois é a cabeça que trava o coração, as pequenas coisas que parecem derrotar as grandes, um sufoco inexplicável que parece instalar-se onde dantes estava a intimidade. É preciso saber passar tudo isso e conseguir chegar mais além, onde a cumplicidade - de tudo, o mais difícil de atingir - os torna verdadeiramente amantes." Não te deixarei morrer, David Crockett

Amar em Silêncio

"Nunca devemos amar em silêncio, nada é mais perigoso do que dividir com outrém os pensamentos vividos em silêncio. Um amor feliz precisa do turbilhão das palavras, das frases aparentemente inúteis e sem sentido, precisa de adjectivos, de elogios, do ruído das banalidades. Não há felicidade que não seja tantas vezes fútil, tantas vezes inútil" Não te deixarei morrer, David Crockett

Noites de trovoada

Um brilho no céu. Conto os segundos: 1, 2, 3, 4.... O trovejar faz-me tremer, apesar de ter sido tão longe. Penso em ti. 1, 2, 3,4,5... Onde estará agora? Será que estás, como eu, a cronometrar obsessivamente os segundos entre o brilho esbranquiçado e o som destrutivo do trovão?, será que te apercebeste agora quão infantil é, uma perda de tempo total? Será que apesar disso sorris ao lembrar-te como o fizémos juntos? Afasto-me da janela, a casa está vazia, sem luzes, sento-me no vazio tão familiar do meu quarto e inspiro fundo. Sorrio. Lanço uma gargalhada e, sei lá porquê, desde há muito tempo apetece-me dar graças a alguém ou a alguma coisa por te ter conhecido, por apesar de as coisas não terem corrido bem, termos tido momentos inesquecíveis, especiais. Por ter assistido áquela trovoada contigo, o meu braço quente sob a protecção do teu, de repente lembras-te que a electricidade poderá ter voltado, ligas o rádio e está a dar aquela música linda de Dire Straits(que não conhecias), Rom...

Poetisa do Dia - Maria do Rosário Pedreira

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“Se partires, não me abraces - a falésia que se encosta uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre e sonha com viagens na pele salgada das ondas. Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios; mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder, porque o ar que respiras junto de mim é como um vento a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces - o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno nos dias sem ninguém - longe de ti, o corpo não faz senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto espia os espelhos à espera de que a dor desapareça. Se me abraçares, não partas. " O Beijo, Gustav Klimt