Mensagens

A mostrar mensagens de fevereiro, 2006

Noites de trovoada

Um brilho no céu. Conto os segundos: 1, 2, 3, 4.... O trovejar faz-me tremer, apesar de ter sido tão longe. Penso em ti. 1, 2, 3,4,5... Onde estará agora? Será que estás, como eu, a cronometrar obsessivamente os segundos entre o brilho esbranquiçado e o som destrutivo do trovão?, será que te apercebeste agora quão infantil é, uma perda de tempo total? Será que apesar disso sorris ao lembrar-te como o fizémos juntos? Afasto-me da janela, a casa está vazia, sem luzes, sento-me no vazio tão familiar do meu quarto e inspiro fundo. Sorrio. Lanço uma gargalhada e, sei lá porquê, desde há muito tempo apetece-me dar graças a alguém ou a alguma coisa por te ter conhecido, por apesar de as coisas não terem corrido bem, termos tido momentos inesquecíveis, especiais. Por ter assistido áquela trovoada contigo, o meu braço quente sob a protecção do teu, de repente lembras-te que a electricidade poderá ter voltado, ligas o rádio e está a dar aquela música linda de Dire Straits(que não conhecias), Rom...

Poetisa do Dia - Maria do Rosário Pedreira

Imagem
“Se partires, não me abraces - a falésia que se encosta uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre e sonha com viagens na pele salgada das ondas. Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios; mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder, porque o ar que respiras junto de mim é como um vento a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces - o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno nos dias sem ninguém - longe de ti, o corpo não faz senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto espia os espelhos à espera de que a dor desapareça. Se me abraçares, não partas. " O Beijo, Gustav Klimt