Mensagens

A mostrar mensagens de 2007

Não adormeças, por Maria do Rosário Pedreira

Imagem
Fotografia por Nuno Manuel Baptista, «untitled» Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto e a luz é fraca e treme e eu tenho medo das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas da casa e de tudo aquilo com que sonhes. Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi de quatro folhas; e das ervas húmidas e chãs com que em casa se cozinham perfumes que ainda hoje te mordem os gestos e as palavras. (...) Há tempo para uma história que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres, serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória, como na minha pesará para sempre a pedra do teu sono se agora apenas me olhares de longe e adormeceres .

Habituações

Imagem
Vai-me empurrando neste baloiço de ferro, vigia-me de soslaio, fica perto de mim, prende-me, não me deixes gingar uma vez mais, segura-me com força. Dá-me a tua mão, não me soltes já ... Deixa-me ficar só mais um bocadinho... Admito!, tenho medo que quando me soltares, estas correntes se quebrem, que será de mim depois? Sorris e dizes que basta voltar a levantar-me... Eu sei, eu tenho quase a certeza que sei... (Quase que acredito!) , mas não me soltes já... Vou sentindos os grilhões, ásperos, nas palmas das minhas mãos, dão-me segurança, contrastam com o calor da minha pele (da tua). Sinto o vento na minha face, sinto-me liberta. E ainda assim, quero tanto trocar este aço que me controla e me condiciona e me guia (mais que eu gostaria), pelos teus dedos a brincar com os meus... Deixa que me habitue aos nossos gritos, aos nossos silêncios, ao meu olhar que brilha quando penso o que tenho sempre tanto medo de dizer... Deixa que me habitue a ti, a este nós, a este fado que nos envol...

E a seguir...?

Imagem
"houve um dia alguém, alguém que me fez ver, que para se amar também para isso há-que saber... houve um dia uma voz que no seu tom fez esquecer passado tão atroz, tão longe está já sem se ver..." Porque será que não podes ser simplesmente essa voz que me faz esquecer o passado, ao invés de mo lembrares com essa persistência tão característica? Pára de me assombrar com os fantasmas que fui criando aqui por dentro.... (Este labirinto de emoções!) Não sabes bem - ou de todo - o efeito que tens em mim... Não sabes o quão frágil sou, mesmo que não o pareça, que não o dê a entender... E daí!, talvez não o seja, mas e se o fôr? Estás lá para me apoiar se precisar de ti? Ou abres assim esta tal caixinha dos meus erros, dos meus defeitos, e com tanto que tento esquecer... Tudo bem com isso, mas e a seguir, afastas-te ? É que eu nunca te vou pedir para ficar, e não sei se quero que fiques...Não sei o que quero, já sabes que não me conheço... O que te deixarei mais descobrir sobre ...

Empatia

Imagem
"Empatia é a faculdade de experimentar os sentimentos (...)de outra pessoa. (...)Adquire grande importância, do ponto de vista de compreensão do próximo, já que essa qualidade do sentimento humano diz respeito, predominantemente, ao inter-relacionamento pessoal(...)." Assusta-me a tal transparência do meu olhar que mais ninguém vê, senão tu. O que posso e não posso dizer com ele, o que devo e não devo... O que quero e não quero, vezes demais. Assusta-me a tua presença e a tua ausência, tal como a capacidade de adaptação do teu ao meu espírito controverso. Nunca sei que estás lá, mas (de alguma forma) estás.

Poeta do Dia: William Shakespeare

Imagem
"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar não significa apoiar-se e que companhia nem sempre significa segurança. Começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começas a aceitar as tuas derrotas de cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de uma criança e não com a tristeza de um adulto. E aprendes a construir as tuas estradas no hoje, porque o amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de se partir ao meio em vão. Depois de algum tempo aprendes que não importa o quanto te importas, algumas pessoas simplesmente não se importam. E aceitas que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai magoar-te de vez em quando, e deves perdoá-la por isso. Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que podes fazer coisas num instante, das quais te arr...