Habituações
Vai-me empurrando neste baloiço de ferro, vigia-me de soslaio, fica perto de mim, prende-me, não me deixes gingar uma vez mais, segura-me com força. Dá-me a tua mão, não me soltes já ... Deixa-me ficar só mais um bocadinho... Admito!, tenho medo que quando me soltares, estas correntes se quebrem, que será de mim depois? Sorris e dizes que basta voltar a levantar-me... Eu sei, eu tenho quase a certeza que sei... (Quase que acredito!) , mas não me soltes já... Vou sentindos os grilhões, ásperos, nas palmas das minhas mãos, dão-me segurança, contrastam com o calor da minha pele (da tua). Sinto o vento na minha face, sinto-me liberta. E ainda assim, quero tanto trocar este aço que me controla e me condiciona e me guia (mais que eu gostaria), pelos teus dedos a brincar com os meus... Deixa que me habitue aos nossos gritos, aos nossos silêncios, ao meu olhar que brilha quando penso o que tenho sempre tanto medo de dizer... Deixa que me habitue a ti, a este nós, a este fado que nos envol...