Diz-me

Diz-me que me amas, só mais uma vez... Diz-mo baixinho e deixa que me encoste ao teu peito... Só desta vez. A noite chegou depressa demais e o tempo escorre-nos pelos dedos... E nós, impotentes, cansados, exustos já depois de tudo o que não conseguimos mudar, sorrimos e deixamo-nos ficar, talvez porque é mais fácil assim, talvez por saber tão bem... Mesmo quando não sabe assim tão bem... E se não souber assim tão bem, então diz-me que não me queres, que não me amas, que tudo isto não valeu a pena, que não consegues mais, mas diz-mo já... Não me faças continuar a dar mais, a amar-te mais, a ver todos os dias um bocadinho mais do que poderemos ser, enquanto tu já não vês nada há muito tempo... Se fôr isso deixa-me ir já, deixa-me continuar em frente e voltar a pensar em mim, voltar a construir um futuro só meu, em que não dependo de ninguém para ser feliz... Deixa-me parar de te pôr em primeiro lugar e deixar-me para aquele momento em que te lembras e me pões também a mim no teu primeiro lugar... Se fôr isso, não me tortures mais, até chegar ao momento em que finalmente me dizes o que já sabes, que não sou feita para ti e que nunca vamos ser perfeitos juntos, que estás cansado de lutar por isto tudo...
E se decidires que é comigo que queres estar, então diz-mo, então mostra-mo, então mima-me, surpreende-me, toma conta de mim...Toma conta de mim porque eu vou tomar conta de ti sempre que precisares...
Mas assim, não assim, em que não sei onde estar, como estar, como estar contigo porque a verdade é que se não mo disseres, eu nunca vou conseguir adivinhar...

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